Diante das câmaras de fotógrafos e cinegrafistas, nos encontros sociais ou em eventos protocolares, a presidente Dilma Rousseff até parece ter voltado a manter uma convivência pacífica com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas nos bastidores está sendo travada uma verdadeira guerra de extermínio.
As votações na Câmara e no Senado evidenciam este clima de
animosidade, é claro. Mesmo assim, os três personagens principais da
política brasileira tentam manter as aparências, como se isso ainda
fosse possível.A mais recente jogada dessa sensacional partida de xadrez político foi dada terça-feira, quando a dupla Renan/Cunha conseguiu armar um impressionante evento no Congresso, ao reunir todos os governadores e seus mais importantes secretários, para discutir um assunto delicadíssimo – um novo Pacto Federativo.
DISPUTA DE PODER
É uma clara disputa de poder, agora incentivada pelo Congresso. Os governadores e prefeitos adoram este tema, mas o Planalto odeia e tenta de todas as maneiras evitar, porque o Pacto significa diminuir a arrecadação federal e reduzir os superpoderes da União, justamente quando o Planalto se empenha em fazer um ajuste fiscal que pune os trabalhadores e beneficia o sistema financeiro, cujos lucros sempre recordes estão mais do que preservados e garantidos.
Governadores e prefeitos não querem saber disso. As necessidades deles são locais e seu objetivo comum é aumentar a própria arrecadação e se livrar ao máximo da incômoda tutela do governo federal.
GOLPE MORTAL
O Pacto Federativo interessa a todos os cidadãos, indistintamente. Como dizia Ulysses Guimarães, ninguém mora na União, mas nos Estados e Municípios. Por isso, a iniciativa de Renan/Cunha foi um surpreendente xeque-mate, encurralando a Rainha num momento em que ela estava distraída, mais preocupada com dietas, reforma de roupas e futuras operações plásticas.
Agora, as discussões serão travadas sob comando direto dos presidentes do Senado e da Câmara, com o governo inteiramente excluído dos debates. Com base nas sugestões dos governadores estaduais, as propostas comuns que ganharão prioridade na pauta do Legislativo serão definidas hoje mesmo por Renan e Cunha, que estão criando uma comissão composta por 17 senadores para acompanhar o andamento dessa pauta.
ATÉ OS PETISTAS APOIAM
No evento de lançamento do Pacto Federativo, um dos participantes mais animados era o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Ao ressalvar que apenas a criação de uma agenda federativa não basta, disse ser necessário que, antes da votação de projetos de lei, governadores e prefeitos sejam consultados sobre os impactos das propostas na arrecadação e nas despesas de estados e municípios. “Se isso ocorresse, já seria uma grande ajuda. Coloquem a Federação em primeiro lugar”, reivindicou Costa.
Especificamente sobre propostas ligadas à saúde e à segurança pública, o governador da Bahia sugeriu que o Congresso repense o modelo de financiamento nessas áreas. “Não se trata de dizer que é problema de A ou de B. Estamos todos no mesmo barco, juntos e misturados. Juntos, precisamos buscar as soluções”, disse o petista.
O Planalto foi apanhado de surpresa e não esboçou reação. Todos os integrantes do núcleo duro do governo ficaram atônitos, enquanto Renan e Cunha iam jantar juntos, para comemorar. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.
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