
(Argumentos para estudo e debate, visando a estabelecer, uma
orientação para escolha e indicação de candidatos à Ordem). E começamos
por esta sentença budista:
… Querer melhorar o mundo, sem antes melhorar o homem, é tarefa inútil…
Exposição de Motivos
É comum confundirmos Ordem com Obediência. Portanto as afirmações a
seguir visam a sugerir que há diferenças fundamentais entre tais
instituições!
“A Ordem – a Maçonaria iniciática e tradicional, não tem origem
historicamente conhecida. As Obediências, ao contrário, são criações
recentes. A Ordem é universal, as obediências, sejam quais forem,
mostram-se particularistas, influenciadas por condições sociais,
religiosas, econômicas e políticas dos países onde se desenvolvem”.
“A Ordem na sua essência é metafísica; na sua manifestação é
tradicional. Por essência é indefinível e absoluta; as Obediências estão
sujeitas a todas as variações da fraqueza relativa ao gênero humano. A
Ordem tem uma doutrina, muito antiga e pouco compreendida, que as
Obediências e Lojas vem adulterando, embora tenham atribuído a si
mesmas, o encargo de estudá-la e transmiti-la FIÉLMENTE, aos irmãos”).
As Obediências, apenas administram a nossa passagem pela Ordem. Dito
isto, vejamos, resumidamente, o resultado da falta do entendimento que
um maçom precisa ter.
“Como se todos fossemos vizinhos, vamos à loja, não para pensar, mas
para nos distrairmos com figuras simbólicas, mesmo sem as compreender,
depois para realizar gestos pomposos e, finalmente, para nos entregarmos
aos prazeres gastronômicos. Mas DE QUE SERVIRÁ A ORDEM (e não a
Obediência), SE ELA NÃO IMPREGNAR SEUS MEMBROS, ATÉ FAZER DELES HOMENS
NOVOS? Um homem novo que não seja, apenas, homem de tempos novos, mas
devoto da tradição que não tem tempo! A tradição é uma síntese resumida
da Maçonaria e do seu significado, que potencializa tudo quanto o homem
pode ser.Então o que faz com que a Ordem não seja, meramente, uma
sociedade de socorros mútuos, depende da inspiração subjetiva de cada
maçom. Cada um pode senti-la de um modo diferente de seu irmão, mas os
que vivem a vida maçônica interior, compreendem muito bem, que qualquer
um que não seja maçom, não ache graça em muitas das coisas, que fazem as
delícias da Ordem. Somente o maçom tem o espírito atingido, com tudo o
que concerne à Ordem. Portanto, o que é insípido para o profano é
profundamente saboroso para o maçom. A Ordem possui, então, um segredo,
somente desvendado pelos aceitos para dela fazerem parte, sendo-lhes
assegurados os meios para uma evolução espiritual, através de um
trabalho coletivo. Desenvolvendo ao máximo as possibilidades
individuais, propicía o máximo de harmonia na Fraternidade (ou seja, na
convivência humana). A solução de antagonismos, aparentemente
inconciliáveis faz parte dos privilégios concedidos a autênticos
iniciados. Tal objetivo, porém, somente será alcançado se os irmãos
estiverem ligados entre si e à Ordem, pelos mais estreitos e menos
conhecidos laços e se o silêncio e o segredo forem rigorosamente
observados (o que convenhamos raramente acontece). Os que chegam até a
Ordem, devem ser “eleitos”, ou seja, devem aceitar em si mesmos o
espírito da Ordem, para senti-lo, até nas coisas aparentemente mais
banais. A iniciação maçônica depende do domínio racional de cada um,
pois implica em intuição e superação da razão. Daí a IMPORTÂNCIA que há
para a
Ordem e para a Humanidade, o momento em que se resolve indicar um
candidato. Se os irmãos bem compreenderem o valor desta argumentação,
sem dúvida serão mais cuidadosos, nas suas opções sobre candidatos, pois
a Ordem é mais importante e verdadeira que as Obediências (porque o
valor e a capacidade para gerar benefícios sustentam-se na
AUTENTICIDADE, que por sua vez exige COERÊNCIA entre os pensamentos, as
palavras e as atitudes ou comportamentos).
DESENVOLVIMENTO
(O que contribui e o que é fundamental para o trabalho maçônico, em loja ou, no ambiente profano)?
Para o êxito das nossas atividades maçônicas, vários elementos
conjugam-se, como por exemplo: local de reunião, legislação, rituais,
instrumentos, etc. . Todavia, o fundamental é a presença dos irmãos,
atuando em harmonia. São os irmãos a porção principal, daquilo que vai
constituir a célula, a Loja. Por ser dotado de qualidades próprias, tais
como vontade e livre arbítrio, a influência do homem é ímpar na vida da
loja, a qual reunida a outras formam as Obediências devendo todos
(irmãos, lojas e Obediências) cumprir a função da Ordem. Esta tem como
incumbência, trabalhar em favor da Humanidade, pela evolução do homem,
na medida em que cada um faça por merecer e de acordo com o trabalho
realizado. A Maçonaria, não é, pois, um fim a ser atingido, para se
obter benefícios (como ocorre com as profissões na vida profana), mas um
meio onde o homem encontra a rara oportunidade de, trabalhando para o
bem da Humanidade, evoluir para a felicidade. Ao atingir o mestrado,
TEÓRICAMENTE, os irmãos adquirem as condições, não só de saber, o QUE
deve ser feito, mas principalmente, para conhecer o CAMINHO que leva à
Grande Obra. Contudo, isto nem sempre acontece, porque muitos “RECEBEM” o
mestrado, sem trabalho, sem mérito, apenas pela bondade (ou omissão)
dos irmãos. Por isso estes mestres continuam na sombra e nada produzem!
Muitos vão além, porque prejudicam o trabalho e o esforço de irmãos
operosos e dedicados, prejudicando também a si mesmos, já que se anulam
ao nada fazer pela Loja, pela Obediência, pela Ordem e principalmente
por aqueles que tanto necessitam do trabalho maçônico! Por tudo isto é
preciso muito cuidado e muita atenção, quando da indicação de candidatos
às Lojas. Qualidade de trabalho e dedicação já devem ser inerentes ao
candidato, para que haja cada vez mais, qualidade e dedicação à forma
que queremos dar aos nossos trabalhos, sejam internos, nas reuniões
semanais, sejam nas atividades profanas onde devemos exercer uma
liderança maçônica, exemplar pela capacidade e pela espontaneidade em
praticar o bem. Afinal o que importa é o trabalho a ser feito; sendo os
benefícios que cada um recebe, apenas conseqüências.
SUGESTÕES
(esta é a parte que mais precisa ser enriquecida)
Como os candidatos não compreendem o significado da candidatura e alguns
mestres não compreendem o significado de apresentar candidatos,
torna-se importante ressaltar: 1-A RESPONSABILIDADE dos mestres maçons
como conhecedores daquilo que é ignorado pelos profanos, 2-A OBSERVAÇAO e
ORIENTAÇAO adequada, daqueles que, os mestres entenderem, que tenham
condições de ser admitidos numa loja maçônica. Quem aspira tornar-se um
irmão maçom precisa entender (portanto ser informado) que uma vez aceito
deverá trabalhar para glória de DEUS, O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO e
para o bem da Humanidade, não para alimentar vaidade e egoísmo próprios e
outros defeitos que para os maçons são considerados vícios,
permanentemente combatidos. Um diálogo neste sentido deve ter condições
de ocorrer, entre o mestre maçom e seu provável afilhado. Além disso, o
mestre deve observar, por exemplo, em relação ao candidato: -realiza,
com alegria, pequenas e obscuras tarefas? -faz o que lhe é possível, por
pouco que pareça ser, para o progresso humano?-toma a iniciativa para
desenvolver novas e/ou difíceis tarefas, espontaneamente, sem esperar
solicitação ou indicação? Se as respostas são positivas, podem indicar
humilde sabedoria e condições para evoluir. Isto, porém não é o
suficiente e outras observações, podem ser também reveladoras, tais
como: – o temperamento do indivíduo, impede-o de pôr-se em sintonia com
outros? Se isto ocorre é motivo para aguardar o tempo necessário para
livrar-se desta imperfeição. – O seu orgulho pode ser atenuado? Se não
puder, mesmo na Loja, o candidato continuará a ser um profano, não sendo
recomendável a sua admissão, pois já temos demais este tipo de irmão
que busca a própria glória. – O candidato tem elevado auto-conceito? Ou
auto-estima ? Julga-se superior? Isto é perigoso, porque dificulta o
convívio com os outros, bem como a transmissão de informações e
instruções. – Ofende-se com facilidade? Também é perigoso, porque
dificulta o convívio, pela intolerância. Entretanto, esta falta de
condições pode ser momentânea e às vezes o tempo encarrega-se de fazer o
candidato melhorar. Portanto, não há pressa em encher as lojas, com
iniciações precipitadas, que, geralmente, transformam-se em toda espécie
de problemas para as Lojas e Obediências. Quanto à orientação, algumas
advertências devem ser feitas aos candidatos tais como: -Assiduidade –
somente pela assiduidade o irmão (aspiração do candidato), na companhia
de outros, adquirirá uma compreensão preliminar sobre a Maçonaria e o
seu trabalho. – Disponibilidade no dia e hora das reuniões.- Para
assegurar uma boa preparação, ou seja, o desenvolvimento adequado das
instruções e também porque assegura a ocupação constante dos irmãos,
estimulando o aprendizado, a harmonia e o êxito dos trabalhos,
produzindo então, bons aprendizes, òtimos companheiros e excelentes
mestres e não candidatos que uma vez aceitos como irmãos, já como
aprendizes, vêm à Loja somente em busca de ascensão aos graus
desconhecidos, seja por curiosidade, sejam por outros motivos, mas que
sem dúvida os descredenciam, a permanecer na Loja, na Obediência e,
principalmente, na Ordem.
CONCLUSÕES
“O segredo da Ordem é que ela atravessa os séculos, entre temporais que
fazem efêmeras tantas obras dos homens, inclusive as nossas obediências.
Há neste segredo uma virtude misteriosa, o que o poeta chama de “música
interior” ou uma disposição de espírito.
Para a Ordem, a TRIAGEM é absolutamente necessária, porque as palavras
da Sabedoria da Força e da Beleza, não podem ser jogadas ao vento, mas
conservadas na mente e no espírito (ou seja: maus candidatos = maus
irmãos = prejuízo para a Ordem e para a humanidade).
Os trabalhos maçônicos internos e externos devem assemelhar-se, por
exemplo, às cordas de instrumentos musicais, que, embora diferentes,
emitem sons em harmonia com as outras. Esta harmonia nivela os irmãos e
nenhum é mais sábio, mais forte, mais belo ou mais importante. Não há
orgulho e a ausência do orgulho conduz ao esquecimento do “eu em
primeiro lugar” e desenvolve o ânimo da boa vontade com todos.
Estas regras podem levar à convivência adequada, não só para aprender,
mas também para trabalhar juntos ou “EM UNIÃO”, como diz o salmista.
Encerrando, devo dizer que, esta colaboração pretende apenas colocar em
exame e estudo a indicação de candidatos, portanto necessita ser
ampliada e enriquecida, por todos aqueles irmãos que “optam pela
qualidade” e que, realmente, preocupam-se com o presente e o futuro da
Ordem e da Humanidade…
Que Assim Seja!