quinta-feira, 12 de março de 2015

AO INVÉS DO IMPEACHMENT, JÁ SE DISCUTE A INTERVENÇÃO MILITAR


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Newton   
Qua, 04 de Março de 2015 08:43
Está acontecendo algo inimaginável no país até pouco tempo atrás. Aproximam-se as manifestações de 13 de março (governista, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff) e de 15 de março (oposicionista, a favor da abertura de processo na Câmara Federal). O clima é de confronto total, incentivado pelo ex-presidente Lula, que ameaça colocar nas ruas o “exército” do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), e pelo presidente do PT no Estado do Rio de Janeiro, Washington Quaquá, que propõe resolver a disputa na porrada.
Fizemos uma sugestão, aqui na Tribuna da Internet, com objetivo de reduzir os riscos de conflitos mais graves, através de uma estratégia simples e eficaz. Propusemos que os adeptos do impeachment não sairiam às ruas na sexta-feira 13, respeitando o democrático direito de os defensores do governo se manifestarem livremente. Com isso, se evitaria a possibilidade tipo de confronto entre as duas facções. E qualquer problema que viesse a acontecer deveria ser atribuído exclusivamente aos organizadores e participantes desses atos públicos, ou seja, o governo federal, a CUT e outras centrais ligadas ao PT, o partido governista e as entidades e movimentos sociais que o apoiam, como UNE, MST, Fora do Eixo, Black Blocs etc.
No domingo 15, os defensores do impeachment então iriam às ruas para exercer o mesmo de expressão que foi garantido aos adversários na sexta-feira 13. Assim, se os militantes governistas também saíssem as ruas no domingo e provocassem conflitos, ficaria claro que o governo federal está agindo de uma forma totalmente antidemocrática, criminosa e irresponsável, que coloca em risco as próprias instituições.
PALAVRAS AO VENTO
Mas a sugestão, que nos parece de uma lógica cristalina, foi afastada, porque os dois grupos continuam a se mobilizar para os enfrentamentos que fatalmente ocorrerão nas duas datas. Ninguém quer ceder. Os líderes das duas facções incentivam um radicalismo insano e suicida, que não interessa ao país, somente a seus inimigos e sabotadores da democracia.
O pior é que todos sabem aonde essa situação pode nos levar. De repente, ao invés estarmos discutindo os respaldos políticos e jurídicos para o impeachment de uma presidente visivelmente despreparada e incompetente, o que se debate hoje é se as Forças Armadas devem ou não intervir no processo democrático.
NO ARTIGO 142
A Constituição é bastante clara a esse respeito, no artigo 142: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”
Então, só pode haver ação militar, se for solicitada por um dos três poderes: Legislativo, Executivo ou Judiciário. Mas antes que isso ocorra, há a possibilidade da decretação do estado de defesa (art. 136) pela presidente, no prazo de 30 dias, e do estado de sítio (art. 137), sem aprovação do Congresso ou do Supremo nas duas hipótese, com a chefe do governo apenas ouvindo o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, dois órgãos do próprio Executivo.
Em nome da democracia, tudo isso precisa ser evitado, a qualquer custo. O governo vive a denunciar que está sob ameaça de golpistas, mas na verdade a quem interessa esse golpe? Pense nisso.

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30796:ao-inves-do-impeachment-ja-se-discute-a-intervencao-militar&catid=80:denuncia&Itemid=131

quarta-feira, 11 de março de 2015

MINISTRO DA FAZENDA JOAQUIM LEVY VAI PULAR DO BARCO ?


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Octávio Costa   
Qua, 04 de Março de 2015 08:43
Ao formar seu governo em 1979, o general João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, ficou sem saber exatamente o que fazer com a economia e deu uma no cravo e outra na ferradura. Manteve Mário Henrique Simonsen à frente da política econômica, como ministro do Planejamento, mas nomeou Antonio Delfim Netto para o Ministério da Agricultura. Simonsen, que havia chefiado a Fazenda no governo Geisel, foi encarregado de contornar os efeitos da segunda crise do petróleo. Optou por um tratamento de choque, com corte dos gastos públicos e superávit primário de 1% do PIB, ao preço de desaquecimento da indústria e do risco de recessão.
Nos bastidores, Delfim atirava no colega e criticava as medidas de austeridade. Garantia que, apesar de tudo, era possível adotar uma política que garantisse o crescimento. As pressões aumentaram até que Simonsen pediu o boné com apenas cinco meses no cargo. E Delfim assumiu o Planejamento sob aplausos dos empresários.
Para conhecer melhor esta história, vale a pena ler estudo do professor José Pedro Macarini, da Unicamp, sobre o período Figueiredo. O que mais impressiona é, sem dúvida, a semelhança entre o isolamento de Mário Simonsen e o rápido desgaste que enfrenta hoje o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
PEIXE FORA D’ÁGUA
A exemplo de Simonsen, Levy parece um peixe fora d’água no governo Dilma. Se ele representa a ultra-conservadora Universidade de Chicago, os demais membros da equipe econômica aproximam-se, sem dúvida, do pensamento desenvolvimentista (ao qual a presidenta Dilma também se filia).
A ortodoxia de Levy nada tem a ver com com a visão heterodoxa do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e da presidente da Caixa Econômica, Miriam Belchior. Mais importante: não se afina com a formação keynesiana da economista Dilma Rousseff, avessa ao liberalismo de Milton Friedman, Prêmio Nobel e guru do Chicago.
Substituto de Guido Mantega, Levy foi incumbido de pôr a casa em ordem, pois, como diz a presidenta, “quando a realidade muda, a gente muda”. Agiu rápido e baixou um pacote de ajuste fiscal, que minou as expectativas e faz de 2015 um ano perdido. Mas não encontrou sustentação sequer entre os parlamentares do PT, partido do governo. As medidas que mudam as regras da pensão de viúvas e do seguro-desemprego dificilmente passarão no Congresso.
ERROS DA PRÓPRIA DILMA
Ao defender a freada de arrumação na economia, Levy ataca sem piedade erros da política econômica do primeiro mandato de Dilma. Após afirmar que houve uma “escorregadinha” no controle das contas públicas, foi ainda mais longe e disse que a desoneração da folha de pagamento de empresas foi “um negócio muito grosseiro”. Segundo ele, “essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano” e não protege, nem cria empregos.
Desta vez, Dilma reagiu: “A desoneração foi importantíssima e continua sendo. Se não fosse importante, tínhamos eliminado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo”. Levy levou o pito e ficou calado. Comentou com assessores que exagerou no “coloquialismo”. Ele já se corrigiu de outras vezes, mas começa a dar a impressão de que se prepara para pular do barco em poucos meses. Ao deixar o governo de João Figueiredo, Simonsen não deu grande importância: “O cargo de ministro é apenas mais uma linha no meu curriculum”. Joaquim Levy já tem esta linha no seu curriculum.

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30797:ministro-da-fazenda-joaquim-levy-vai-pular-do-barco-&catid=77:politica-economia-e-direito&Itemid=132

domingo, 8 de março de 2015

BENDINE PAGAVA QUANTIAS ALTAS EM DINHEIRO, DIZ EX-EMPREGADO


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ricardo Galhardo   
Ter, 03 de Março de 2015 08:40
Conchas (SP) – O novo presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, fazia pagamentos de valores superiores a R$ 20 mil em dinheiro na região de Conchas (SP) onde possui uma casa. A informação é do pedreiro João Carlos Camargo, responsável pela construção da casa, e foi confirmada ao Estado por dois comerciantes da região sob a condição de não terem seus nomes revelados.
Camargo, de 59 anos, acusa Bendine de não ter pago R$ 36 mil referentes à mão de obra para a construção da piscina da residência, uma das maiores da cidade. Bendine, por meio de nota, negou tanto a dívida quanto os pagamentos em espécie.
João Camargo é a segunda pessoa que trabalhou para Bendine a relatar o hábito do executivo de carregar altos valores em dinheiro. No ano passado Sebastião Ferreira da Silva, ex-motorista do Banco do Brasil, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que fez diversos pagamentos em espécie a mando de Bendine.
JOGANDO PELADA
O pedreiro e o presidente da Petrobrás se conheceram em 1981, quando Bendine chegou a Conchas, a 210 km de São Paulo, para trabalhar como caixa na agência do Banco do Brasil na cidade de 17 mil habitantes.
“Ele também gostava de esporte, começamos a jogar bola juntos até que pegamos uma amizade”, lembra Camargo, o mais velho de três irmãos pedreiros conhecidos na região pela qualidade das construções.
Em 2005, já ocupando uma diretoria do Banco do Brasil, Bendine decidiu demolir a velha casa da família e construir um imóvel que se destaca no centro da cidade. Camargo foi escolhido para tocar a obra.
A construção demorou mais de dois anos e o custo da mão de obra foi dividido em três partes. A primeira, de R$ 135 mil, era para a construção principal. A segunda, no valor de R$ 30 mil, era referente a obras complementares e a terceira, de R$ 36 mil, à piscina e churrasqueira, de acordo com o pedreiro.
EM PARCELAS
Segundo Camargo, as duas primeiras partes foram totalmente quitadas em parcelas. Os pagamentos que superavam R$ 7 mil eram feitos em espécie.
“Às vezes ele ia até o banco e sacava. Às vezes já vinha de Brasília com o dinheiro em um envelope”, disse.
O pedreiro não possui contrato nem recibos. De acordo com ele, Bendine se recusou a pagar os R$ 36 mil restantes alegando que os valores pagos anteriormente estavam acima do valor do mercado. Segundo o advogado Julio Del Vigna, Camargo não quis cobrar a dívida na Justiça porque “é do tipo que faz as coisas na base da confiança, no fio do bigode”.
Além de construir a casa, o pedreiro diz que era encarregado de gerenciar a obra e outros pequenos serviços, entre eles pagar os fornecedores. Dois comerciantes da região confirmaram ao Estado, com a condição de não terem seus nomes revelados, que receberam valores superiores a R$ 5 mil, em espécie, para pagamento de materiais usados na construção.
“ERA PERIGOSO…”
Camargo diz que foi encarregado por Bendine de entregar em um só dia R$ 22 mil ao vendedor de um carro que seria dado de presente pelo aniversário de 18 anos da filha do executivo, em Piracicaba, e fazer um pagamento de R$ 17 mil ao fornecedor de materiais para a piscina, em Laranjal Paulista. “Eu inclusive falava para ele que era perigoso”, disse.
O pedreiro afirmou ter sido ameaçado por seguranças do BB quando Bendine já ocupava a presidência do banco.
###
NOTA DA REDAÇÃOBendine diz que não pagou em espécie. Então, pagou em cheque, porque o pedreiro não aceita cartão de débito ou crédito. Agora, só falta Bendine mostrar as cópias dos cheques. Mas isso ele não fará nunca. Era um banqueiro que não confiava em cheques, guardava dinheiro no colchão e comprava imóvel em dinheiros vivo. E hoje ganha R$ 183 mil mensais na Petrobras e mais R$ 62 mil como aposentado no Banco do Brasil, com 51 anos. Ah, Brasil! (C.N.)

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30783:bendine-pagava-quantias-altas-em-dinheiro-diz-ex-empregado&catid=80:denuncia&Itemid=131

sábado, 7 de março de 2015

QUEM QUEBROU A PETROBRAS


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Sebastião Nery   
Ter, 03 de Março de 2015 08:40
José de Almeida Alcântara, alto, cabeleira branca exposta ao vento, talentoso, audacioso, coletor federal, prefeito, deputado, era um terror para seus adversários na política de Itabuna, sul da Bahia.
Em 1960 apoiou Jânio Quadros, da UDN. Teixeira Lott, candidato do PSD e PTB, foi a Conquista com uma grande caravana. Tão grande que o palanque não aguentou, desabou, quase quebrou a perna do velho marechal que ficou impedido de seguir para o comício de Itabuna. Ele não foi, mas a comitiva foi e fez comício na praça. No dia seguinte Alcântara, que apoiava Jânio, convocou um comício contra Lott. E fez como sempre um discurso desabusado:
– “Ontem esteve nesta praça um punhado de contrabandistas: João Goulart, contrabandista de boi para a Argentina. Batista Luzardo, contrabandista de ovelhas para o Uruguai. Orlando Moscoso, contrabandista de cacau e até o padre Nestor Passos contrabandista de…
Parou, pensou, continuou:
– “Contrabandista de almas. Encomenda as almas para o céu e manda todas para o inferno.”
Jânio ganhou em Itabuna.
ALCÂNTARA
Prefeito, Alcântara brigou com Gileno Amado, compadre do governador Juracy e líder da UDN na região. Gileno lançou uma campanha para forçar Alcântara a renunciar. Chamou o vereador da UDN Manoel Alvarandio e promoveram uma marcha popular até a prefeitura, todos gritando “impeachment! impeachment!”
Alcântara apareceu na porta da prefeitura com os brancos cabelos esvoaçantes, um pedaço de papel na mão esquerda, uma caneta na mão direita e desafiou a multidão:
-“Voces querem meu impeachment, eu renuncio. Mas antes preciso que este moleque, o vereador Alvarandio, escreva a palavra impeachment aqui neste papel.”
Alvarandio e a multidão foram dormir.
IMPEACHMENT
Março começou com o país se preparando para a grande marcha do dia 15 contra os desvarios da presidente Dilma. O povo vai dizer nas ruas porque não está engolindo esta farsa de uma candidata que ganhou a eleição dizendo uma coisa e agora, com toda a sua cara de pau, que está murchando dia a dia, faz tudo ao contrário.
Não se trata, por enquanto, de fazer impeachment agora, que é uma arma que a Constituição entrega ao país só nas horas do desastre final. Mas é preciso que cada um assuma suas responsabilidades. Essa história de Lula e Dilma rebolando nos palanques e televisões como se nada tivessem a ver com a roubalheira na Petrobrás é asquerosa e intolerável.
Cada um, presidentes da República, presidentes da Petrobrás, presidentes e membros do Conselho Administrativo, vai ter que assumir suas responsabilidades e pagar pelo que fizeram ou deixaram de fazer.
LULA
Em Angra dos Reis, no dia 7 de outubro de 2010, o presidente Lula proclamava: “No nosso governo a Petrobrás é uma caixa branca e transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro. E a gente decide muitas coisas que ela vai fazer.”
A autossuficiência promoveu o festival de incompetência de projetos inviáveis, como as refinarias de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. Todas elas consideradas inviáveis pelo corpo técnico da Petrobrás. No parecer “Análise empresarial dos projetos de investimento”, de 25 de novembro de 2009, era documentado o ponto de vista técnico da empresa, atropelado e desconsiderado pelo então presidente da República, que agora queda-se em silêncio constrangedor ante as revelações da “Operação Lava Jato”.
DILMA
A presidente do Conselho de Administração da estatal era Dilma Rousseff. Chegando depois à presidência da República, o seu governo ampliou e agravou a situação financeira da empresa. O caixa foi dilapidado à exaustão para atender ao populismo fundamentalista. Importava petróleo à média de 100 dólares/barril e vendia internamente a 75 dólares/barril. Estimava-se o prejuízo em R$ 65 bilhões.
Agora o grupo de Economia e Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro encontrou outro número. O economista Edemar de Almeida, na “GloboNews”, coordenador do Grupo, afirmou que o prejuízo da Petrobrás foi de R$ 106 bilhões. No governo Dilma Rousseff, por consequência, o endividamento da Petrobrás quadriplicou.
A maior crise da história da estatal teve pai e mãe, autênticos carrascos na mutilação da quinta maior empresa de petróleo do mundo.
A rapina foi a garantia da roubança e do conluio dos corruptos e corruptores na expropriação de bilhões de reais alimentando quadrilhas.

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30782:quem-quebrou-a-petrobras&catid=80:denuncia&Itemid=131

quinta-feira, 5 de março de 2015

COM MEDO DO IMPEACHMENT, LULA MANDA DILMA PRESTIGIAR TEMER


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Natuza Nery, Adréia Sadi e Mariana Haubert   
Ter, 03 de Março de 2015 08:40
Depois de o ex-presidente Lula se encontrar com peemedebistas e ouvir reclamações do tratamento dispensado pelo governo ao PMDB, a presidente Dilma Rousseff convidou a cúpula do partido para um jantar esta segunda-feira.
Desde a reeleição de Dilma, o PMDB tem se queixado da falta de interlocução com a presidente e de acesso às decisões centrais do governo. Além do vice Michel Temer, serão recebidos hoje por Dilma no Palácio da Alvorada os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB).
Renan afirmou que os peemedebistas disseram a Lula que o ajuste fiscal promovido pelo governo “é pífio e insuficiente” e defenderam que ele seja ampliado, com cortes no setor público.
O senador afirmou ainda que Lula defendeu que Temer tenha uma participação mais ativa no núcleo duro do governo, grupo de ministros mais próximos à presidente Dilma. “Ele acha que o PMDB precisa, sim, ter um papel de maior protagonismo. Ele lembrou que ouvia o vice José Alencar em todas as decisões e acha que o mesmo deve ocorrer agora”, afirmou Renan.
No encontro, segundo relatos, Lula disse que o governo federal tem que agir rápido para não perder e se distanciar da população.
LULA NO COMANDO
Também de acordo com senadores presentes ao encontro, o petista disse que ajudará Dilma a corrigir os rumos para sair da crise política e econômica.
Nas palavras de um peemedebista à Folha, o “governo está nas cordas” e depende agora de uma contrapartida da presidente. Na avaliação de Lula, a presidente precisa partir para uma postura mais forte para que seja retomada a confiança no País.
Os senadores do PMDB reclamaram a Lula que a votação do veto de Dilma ao reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda vai provocar um “desgaste” no Congresso e indicaram que a bancada não está disposta a suportar a pressão por sua derrubada.
Lula manifestou preocupação e orientou os parlamentares a procurarem Dilma para discutir o tema.
LULA É O FIADOR
O líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), disse a Lula que ele é o “fiador” da relação do partido com o PT e pediu sua intervenção para recompor as pontes com o governo Dilma. O senador ponderou que é necessário “reordenar” a coordenação política para aproximar os peemedebistas do Planalto.
Na semana passada, o vice-presidente, Michel Temer, chegou a dizer em uma conversa telefônica com Dilma que o PMDB está no “limite da governabilidade”.
###
NOTA DA REDAÇÃO
Como se vê, Lula retomou o comando do governo. Dilma voltou a fazer o que ele manda. Para tanto, a presidente teve de se humilhar na quinta-feira antes da carnaval e viajou a São Paulo para se desculpar e pedir o apoio de Lula para conseguir governar. Mas a crise é tão grave que nem Lula nem o marqueteiro João Santana vão conseguir resolver. Com medo do impeachment, Lula mandou Dilma prestigiar Michel Temer. Como todos sabem, o vice-presidente passou quatro anos no limbo, agora descobriram que o apoio dele é fundamental. Dá vontade de rir. (C.N.)

quarta-feira, 4 de março de 2015

VEXAME: PRESIDENTE DO BNDES PEDE A SENADORES PARA BARRAR CPI


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Andréia Sadi e Bruno Boghssian   
Sex, 27 de Fevereiro de 2015 08:50
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, procurou parlamentares da base aliada do governo Dilma Rousseff nesta quarta-feira (25) para pedir que o Congresso barre a instalação de uma CPI para investigar contratos de financiamento feitos pelo banco nas gestões do PT.
A Folha apurou que Coutinho entrou em contato com pelo menos três senadores para argumentar que o pedido de criação da comissão elaborado pela oposição era meramente político e poderia prejudicar operações sigilosas do BNDES.
O presidente do banco demonstrou preocupação com a divulgação de informações sobre contratos estratégicos e internacionais na CPI, o que poderia provocar prejuízos para o BNDES. Aliados de Dilma argumentam reservadamente que a comissão poderia prejudicar a imagem do banco, assim como ocorreu com a Petrobras.
EMPRÉSTIMOS SECRETOS
O pedido de investigação da oposição cita irregularidades em empréstimos concedidos pelo banco “a partir do ano de 2006″, no fim do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre os alvos da CPI estão empréstimos que beneficiaram empreendimentos no exterior, como Cuba, Venezuela, Equador e Angola. O governo teme que a oposição use a comissão para atacar o financiamento das obras do porto cubano de Mariel.
O requerimento de criação da comissão também quer investigar contratos com empresas brasileiras como a JBS e a Sete Brasil, fornecedora de navios plataformas e sondas para exploração da Petrobras no pré-sal.
Segundo a Folha apurou, emissários de grandes empresas beneficiadas pelo BNDES procuraram aliados do governo em busca de apoio para barrar a CPI, temendo uma devassa dos contratos do banco com o setor privado.
FALTAM 12 ASSINATURAS
Até a tarde desta quarta-feira, 15 senadores haviam assinado o requerimento de instalação de uma CPI mista para investigar as operações do BNDES. Para a criação da comissão, são necessárias assinaturas de 27 senadores e de 171 deputados.
Aliados do governo pretendem trabalhar para que parlamentares de partidos da base aliada não assinem o requerimento.
###
NOTA DA REDAÇÃOSe Luciano Coutinho, presidente do BNDES, se humilha a ponto de procurar senadores tentando impedir que haja investigação sobre o banco, isso é a maior comprovação de que realmente é preciso convocar a CPI. Se o Senado se submeter a essa inacreditável pressão, é melhor fechar as portas. O BNDES é uma espécie de Petrobras, com irregularidades por todos os lados. (C.N.)

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30752:vexame-presidente-do-bndes-pede-a-senadores-para-barrar-cpi&catid=80:denuncia&Itemid=131

AFINAL, QUEM É O JUIZ FEDERAL SERGIO MORO?


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Claudio Dantas Sequeira   
Qua, 04 de Março de 2015 08:43
Dono de estilo reservado e hábitos simples, o juiz da vara federal de Curitiba entrou para a história do País ao levar executivos de empreiteiras para a cadeia e se mostrar implacável no combate à corrupção na política.  Sempre que alguém o compara com Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Sérgio Moro desconversa. Ou melhor, silencia.
O juiz da 13ª vara federal criminal de Curitiba, que ganhou notoriedade à frente das investigações da Operação Lava-Jato, não gosta desse tipo de comparação nem de especulações sobre o seu futuro. Há alguns anos, rejeitou sondagens para se tornar desembargador, o que para muitos é degrau natural para galgar a última instância do Judiciário. Moro afastou-se da oferta por desconfiar de tentativa de cooptação por parte de um figurão da política nacional que temia virar réu num inquérito que chegou à sua mesa.
Não fosse isso, ele daria outro jeito de recusar a oferta por acreditar que ainda há muito o
que fazer na primeira instância. Eleito por IstoÉ o “Brasileiro do Ano”, Moro não mostra sedução pelo poder da toga. De hábitos simples, ele faz parte de uma rara safra de juízes que encararam a magistratura como profissão de fé.
NUM VELHO FIAT IDEA…
Não dá entrevista, nem posa para fotos. Dispensa privilégios. Vai para o trabalho todos os dias a bordo de um velho Fiat Idea 2005, prata, bastante sujo e repleto de livros jurídicos empilhados no banco de trás. Antes, chegou a ir de bicicleta.“Quando eu chego aos lugares, ninguém imagina que é o Sérgio Moro”, conta, sorrindo.
Apesar de ter se tornado o inimigo número 1 de poderosos, prefere andar sem guarda-costas. Quem sempre reclama é a esposa, a advogada Rosângela Wolff de Quadros Moro, procuradora jurídica da Federação Nacional das Apaes, instituição dedicada à inclusão social de pessoas com deficiência. A “sra. Moro” teme pela segurança do marido, e dela mesma, afinal o magistrado se mostrou implacável com a corrupção ao encurralar integrantes do governo do PT e levar, numa ação inédita, executivos das maiores empreiteiras do País à cadeia.
MESTRE E DOUTOR
Nascido em Ponta Grossa há 42 anos, Moro é filho de Odete Starke Moro com Dalton Áureo Moro, professor de geografia da Universidade de Estadual de Maringá – morto em 2005. Antes de ingressar na magistratura, seguiu os passos do pai. Integrou o mesmo Departamento de Geografia da UEM e também deu aula nos colégios Papa João XIII e Dr. Gastão Vidigal. Obteve os títulos de mestre e doutor em direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná. Seu orientador foi Marçal Justen Filho, um dos mais conceituados
especialistas em licitações e contratos.
Cursou o Program of Instruction for Lawyers na prestigiada Harvard Law School e participou de programas de estudos sobre lavagem de dinheiro no International Visitors Program,
promovido pelo Departamento de Estado americano. Moro criou varas especializadas em crimes financeiros na Justiça Federal e traz no currículo outras operações de peso. Presidiu o inquérito da operação Farol da Colina, que desmontou uma rede de 60 doleiros, entre eles Alberto Youssef. A investigação fora um desdobramento do caso Banestado, que apurou a evasão de US$ 30 bilhões de políticos por meio das chamadas contas CC5.
MÃOS LIMPAS
Ciente de que os mecanismos de lavagem de dinheiro evoluem e se tornam cada vez mais complexos, Moro não para de estudar. É um aficionado pela histórica “Operação Mãos Limpas”. Quando a compara com a Lava Jato, não tem dúvidas: “É apenas o começo”. O caso que marcou para sempre a política italiana foi deflagrado por um acordo de delação, mecanismo inaugurado anos antes nos processos contra a máfia. Após dois anos de investigações, a Justiça italiana havia expedido 2.993 mandados de prisão contra empresários e centenas de parlamentares, dentre os quais quatro ex-premiês.
Num artigo sobre o caso italiano em 2004, Moro exalta os chamados “pretori d’assalto”,
ou “juízes de ataque”, geração de magistrados dos anos 1970 na Itália que ganharam espécie e legitimidade ao usar a lei para “reduzir a injustiça social”, tomar “posturas antigovernamentais” e muitas vezes agir “em substituição a um poder político impotente”. O juiz se identifica com essa geração e vê no Brasil de hoje um cenário semelhante e propício ao combate à corrupção.

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30798:afinal-quem-e-o-juiz-federal-sergio-moro&catid=77:politica-economia-e-direito&Itemid=132

terça-feira, 3 de março de 2015

TEMER AMEAÇA DILMA E DIZ QUE PMDB PODE ABANDONAR O GOVERNO


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Natura Nery, Mariana Haubert e Márcio Falcão   
Sex, 27 de Fevereiro de 2015 08:50
O vice-presidente da República, Michel Temer, alertou a presidente Dilma Rousseff que ou o governo inclui o PMDB em suas decisões estratégicas ou não terá como manter a legenda na base aliada. Segundo a Folha apurou, o recado foi dado em uma conversa telefônica nesta terça-feira (24), quando o vice afirmou que a sigla está no “limite da governabilidade”.
Temer explicou a Dilma que, se o partido continuar excluído do poder “mais um mês ou dois”, o Planalto corre o risco de perder o controle mínimo da pauta no Congresso – o PMDB preside as duas Casas do Parlamento.
Sem o apoio do partido, notabilizado por traições, ameaças e apetite por cargos, o governo dificilmente conseguiria viabilizar projetos de seu interesse ou obter grau mínimo de blindagem em CPIs como a da Petrobras.
É a primeira vez que Temer traça um cenário tão negativo à petista. A insatisfação da sigla aumentou na medida em que os peemedebistas viram novos aliados do Planalto, como o PSD, crescerem na montagem do segundo mandato.
MAIOR PARTICIPAÇÃO
Dilma garantiu sete pastas ao PMDB, mas a maioria sem grande poder de fogo político ou indicações da cúpula do partido. Além do interesse em emplacar cargos no segundo escalão do governo, uma das exigências da legenda é ter assento nas reuniões da coordenação de governo, hoje composta apenas por petistas.
O diálogo entre Temer e Dilma ocorreu poucas horas depois de um jantar, na segunda-feira (23), da cúpula do PMDB com a equipe econômica na residência oficial do vice, o Palácio do Jaburu.
Apesar de a reunião ter sido chamada por Temer para tentar destravar as medidas do ajuste fiscal que tramitam no Legislativo e de ter havido promessas de apoio do partido ao pacote, foram as insatisfações políticas que dominaram o debate.
“FIADOR” DO PACOTE
Como representantes do Executivo, estavam no jantar Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).
“O PMDB salvará o ajuste fiscal”, disse Eduardo Cunha no jantar, falando como uma espécie de fiador do pacote de redução de despesas, isso após passar as últimas semanas impondo seguidas derrotas à Dilma na Câmara.
O pacote, do qual o PMDB reclama de não ter participado de sua concepção, prevê uma economia de R$ 18 bilhões neste ano ao endurecer exigências para a concessão de seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais. Apesar do apoio, não estão descartadas mudanças nas propostas.
COALIZÃO CAPENGA
No jantar do Jaburu, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), foi bem menos comedido. Afirmou que seu partido só é chamado na hora de votar. A jornalistas, fez questão de dizer que a coalizão de Dilma com seu partido está “capenga”.
“O PMDB quer dar um fundamento à coalizão, quer participar da definição das políticas públicas. Essa coalizão, ela é capenga porque o PMDB, que é o maior partido do ponto de vista da coalizão, ele não cumpre o seu papel”, afirmou, ao chegar ao Senado.
Diante das críticas, Mercadante reconheceu que é preciso repensar a relação do governo com sua base congressual. Na semana que vem, Dilma receberá a cúpula peemedebista.
As dificuldades da presidente não se limitam ao parceiro mais problemático da coalizão. O próprio PT resiste em apoiar iniciativas do pacote fiscal.
PT e PMDB têm juntos 131 deputados do total de 513. Para ser apreciado, um projeto de lei exige quórum mínimo de 257 deputados. Ele será aprovado se tiver maioria simples do número de presentes.

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30753:temer-ameaca-dilma-e-diz-que-pmdb-pode-abandonar-o-governo&catid=80:denuncia&Itemid=131

segunda-feira, 2 de março de 2015

RESSACA E MALHAÇÃO DE DILMA


PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Canzian   
Sex, 27 de Fevereiro de 2015 08:50
O ano começa enfim está começando. A partir de agora os brasileiros sentirão de fato o tamanho da ressaca do primeiro governo Dilma. Os indicadores que saíram em dezembro (mês de festas e 13º) e janeiro (férias e pré-Carnaval) passaram meio batidos e foram muito ruins. Prenunciam o que vem aí.
Vendas no varejo em 2014: alta de apenas 2,2%. Foi o pior desempenho desde 2003, ano do pesado ajuste promovido por Lula (sob supervisão do FMI) e que levou vários trimestres para recolocar o Brasil nos eixos.
Inflação em janeiro: 1,2%, a maior também desde 2003. O que nos leva novamente ao passado ruim de 12 anos atrás. Dois retratos importantes do atraso que o atual governo nos entregou.
A coluna insiste sempre em um ponto, fundamental para entender a precariedade da economia brasileira: 67% das famílias têm renda mensal menor do que R$ 2.170. Inflação em alta derruba rapidamente o poder aquisitivo, levando o PIB para baixo.
Um terceiro movimento importante pré-Carnaval foi a disparada do dólar. Isso trará um empobrecimento à jato para a população brasileira, via consumo de produtos importados acabados e produzidos pela indústria nacional. Hoje, quase um quarto do que é fabricado aqui leva componentes importados.
EM ÔNIBUS BLINDADO
No campo social, foi extremamente significativo, no Paraná (também no pré-Carnaval), o recuo do governador Beto Richa (PSDB) ao retirar medidas de corte de gastos que havia encaminhado à Assembleia Legislativa.
Os deputados tiveram de entrar em ônibus blindado (e por um buraco aberto às pressas em uma grade nos fundos) para tentar aprovar as medidas. Diante da fúria dos manifestantes, recuaram.
Assim como Richa no Paraná tentando equilibrar suas contas, o fracasso da gestão Dilma (numa combinação de políticas atrasadas e nacionalistas em um contexto de economia globalizada) agora leva o seu governo a correr com ajustes.
GRAU DE INVESTIMENTO
Um grande risco em 2015 segue o Brasil perder o chamado “grau de investimento”, uma espécie de chancela de agências financeiras internacionais dadas a “bons pagadores”.
Essas agências constituem um dos maiores embustes do capitalismo. Até a grande crise global de 2008/2009 carimbavam papéis que viraram lixo de uma hora para a outra. Mas é assim que o “altar do mercado” funciona. E será bem pior para o Brasil se de fato perder o “grau de investimento”.
Dilma conseguirá em nível nacional o que Richa não conseguiu no Paraná?
Dia 15 de março próximo (um domingo) há manifestações previstas em cerca de 50 cidades do país contra a presidente. No Carnaval de Olinda nesta semana, os organizadores desistiram de colocar entre os bonecos gigantes a figura de Dilma.
Temiam que a festa se transformasse em Sábado de Aleluia, com a malhação da presidente pior avaliada no país desde dezembro de 1999 (FHC).
ESTELIONATOS ELEITORAIS
Há vários tipos de estelionatos eleitorais. Um dos mais emblemáticos foi o do ex-presidente José Sarney em 1986, quando congelou preços no Plano Cruzado.
Sarney sustentou medidas irrealistas até seu partido, o PMDB, lavar a égua nas eleições de 15 de novembro daquele ano. Em seis dias vieram as medidas impopulares.
Em uma semana, saques e depredações varreram Brasília no chamado “badernaço”. Sete meses depois o ônibus do presidente seria apedrejado no Rio. Uma janela foi quebrada a golpes de picareta.

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30754:ressaca-e-malhacao-de-dilma&catid=80:denuncia&Itemid=131

domingo, 1 de março de 2015

VOTAR DEVE SER FACULTATIVO?


PDF Imprimir E-mail
Escrito por João Gualberto Jr.   
Ter, 24 de Fevereiro de 2015 08:36
No ano passado, o Datafolha apontou que cresce a quantidade de brasileiros contrários ao voto obrigatório. Segundo pesquisa divulgada nesse fim de semana, 61% defendem a participação voluntária. Esse é o índice mais alto na série histórica do instituto, que, em 2006, apurou 50% dos eleitores defendendo o voto facultativo, e 48% em 2010. Há argumentos bons dos dois lados, e também são dúbias e um tanto paradoxais as informações do Datafolha que sustentam essa tendência. Ao mesmo tempo em que parece denotar desenvolvimento cívico do país, também soa como sintoma de descrença.
Para começar, 57% disseram que não compareceriam à seção eleitoral se não fossem obrigados. O dado é preocupante, já que, caso se confirmasse, governantes e representantes no Legislativo seriam chancelados pela minoria. Soma-se a essa face perigosa a informação de que a maior parte dos que pretenderiam se abster é dos pessimistas quanto à conjuntura do país e dos que reprovam o atual governo federal. Por outro lado, há também entre os simpáticos ao voto facultativo os mais instruídos (71%) e os que vivem nas grandes cidades (68%).
HÁ CONTROVÉRSIAS
Apesar dos 57% que abdicariam de seu direito, não é possível dizer que a eleição facultativa por si sempre leva a menores índices de adesão. No México, por exemplo, se dá o contrário: o voto lá é obrigatório, e a participação não passa de 60%. O dado é disponibilizado pelo “Institute for Democracy and Electoral Assistance”. Ainda segundo as informações da entidade, entre as nações com voto facultativo, a adesão nos Estados Unidos é das mais baixas entre as chamadas democracias desenvolvidas: foi de 67% na reeleição de Obama, em 2012, e está em queda. No entanto, na Alemanha e na França, os eleitores que comparecem superam 70% e 80% do total, respectivamente. Para se ter ideia, o nível de abstenção nesses dois países é o mesmo do Brasil e da Argentina, onde votar é obrigação.
Grosso modo, há uma relação entre o grau de maturidade de uma democracia e o fato de o Estado coagir o cidadão a escolher seus representantes. O último país desenvolvido a abandonar essa experiência foi a Itália, em 1992. Naquele ano, 87% dos eleitores italianos foram às urnas, e em 2013, já desobrigados, participaram 75%, o que descreve uma redução nem tão significativa assim.
Não parece ser a obrigatoriedade, portanto, que determina a participação e legitima os resultados. Explica mais, talvez, o grau de interesse do cidadão. Um dado do Datafolha confirma isso: a maior parte dos eleitores que têm uma identificação mais nítida com PT e PSDB (que vêm polarizando as disputas presidenciais) disse que votaria mesmo não sendo obrigada. Logo, pode ser bom que o sistema eleitoral mude, mas mais urgente deve ser a transformação do sistema partidário brasileiro. (transcrito de O Tempo)

http://formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30710:votar-deve-ser-facultativo&catid=77:politica-economia-e-direito&Itemid=132