sexta-feira, 22 de maio de 2015

RENAN E CUNHA ATRAEM GOVERNADORES PARA DESESTABILIZAR DILMA


Carlos Newton

Diante das câmaras de fotógrafos e cinegrafistas, nos encontros sociais ou em eventos protocolares, a presidente Dilma Rousseff até parece ter voltado a manter uma convivência pacífica com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas nos bastidores está sendo travada uma verdadeira guerra de extermínio.
RENAN E CUNHA ATRAEM GOVERNADORES  PARA DESESTABILIZAR DILMAAs votações na Câmara e no Senado evidenciam este clima de animosidade, é claro. Mesmo assim, os três personagens principais da política brasileira tentam manter as aparências, como se isso ainda fosse possível.
A mais recente jogada dessa sensacional partida de xadrez político foi dada terça-feira, quando a dupla Renan/Cunha conseguiu armar um impressionante evento no Congresso, ao reunir todos os governadores e seus mais importantes secretários, para discutir um assunto delicadíssimo – um novo Pacto Federativo.
DISPUTA DE PODER
É uma clara disputa de poder, agora incentivada pelo Congresso. Os governadores e prefeitos adoram este tema, mas o Planalto odeia e tenta de todas as maneiras evitar, porque o Pacto significa diminuir a arrecadação federal e reduzir os superpoderes da União, justamente quando o Planalto se empenha em fazer um ajuste fiscal que pune os trabalhadores e beneficia o sistema financeiro, cujos lucros sempre recordes estão mais do que preservados e garantidos.
Governadores e prefeitos não querem saber disso. As necessidades deles são locais e seu objetivo comum é aumentar a própria arrecadação e se livrar ao máximo da incômoda tutela do governo federal.
GOLPE MORTAL
O Pacto Federativo interessa a todos os cidadãos, indistintamente. Como dizia Ulysses Guimarães, ninguém mora na União, mas nos Estados e Municípios. Por isso, a iniciativa de Renan/Cunha foi um surpreendente xeque-mate, encurralando a Rainha num momento em que ela estava distraída, mais preocupada com dietas, reforma de roupas e futuras operações plásticas.
Agora, as discussões serão travadas sob comando direto dos presidentes do Senado e da Câmara, com o governo inteiramente excluído dos debates. Com base nas sugestões dos governadores estaduais, as propostas comuns que ganharão prioridade na pauta do Legislativo serão definidas hoje mesmo por Renan e Cunha, que estão criando uma comissão composta por 17 senadores para acompanhar o andamento dessa pauta.
ATÉ OS PETISTAS APOIAM
No evento de lançamento do Pacto Federativo, um dos participantes mais animados era o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Ao ressalvar que apenas a criação de uma agenda federativa não basta, disse ser necessário que, antes da votação de projetos de lei, governadores e prefeitos sejam consultados sobre os impactos das propostas na arrecadação e nas despesas de estados e municípios. “Se isso ocorresse, já seria uma grande ajuda. Coloquem a Federação em primeiro lugar”, reivindicou Costa.
Especificamente sobre propostas ligadas à saúde e à segurança pública, o governador da Bahia sugeriu que o Congresso repense o modelo de financiamento nessas áreas. “Não se trata de dizer que é problema de A ou de B. Estamos todos no mesmo barco, juntos e misturados. Juntos, precisamos buscar as soluções”, disse o petista.
O Planalto foi apanhado de surpresa e não esboçou reação. Todos os integrantes do núcleo duro do governo ficaram atônitos, enquanto Renan e Cunha iam jantar juntos, para comemorar. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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